A demonstração de Final Fantasy VII Revelation na Brasil Game Show 2026 mostrou como a Square Enix pretende expandir o sistema de combate apresentado em Final Fantasy VII Rebirth. Entre as principais novidades estão a estreia de Vincent Valentine e Cid Highwind como personagens controláveis e o sistema FITS, que permite adicionar novas funções à equipe sem abandonar as características de cada integrante.
O teste também trouxe momentos importantes para quem acompanha a história desde Remake, incluindo novas sequências envolvendo Cloud, Sephiroth e as memórias de Nibelheim. Já a localização brasileira reservou um momento inesperado de humor, com uma expressão bastante conhecida do público nacional.
Previsto para 8 de abril de 2027, Final Fantasy VII Revelation será o capítulo final da trilogia de remakes. A demonstração da BGS oferece uma primeira amostra de como a equipe pretende combinar a base de combate de Rebirth com novas mecânicas e personagens que até então não podiam ser controlados diretamente.
Análise: : Final Fantasy VII Remake Intergrade
Vincent Valentine e Cid Highwind finalmente entram em combate
Uma das mudanças mais importantes da demonstração é a possibilidade de controlar Vincent e Cid. Em Rebirth, os dois personagens já faziam parte da narrativa, mas não estavam disponíveis como integrantes plenamente controláveis da equipe.
Agora, cada um apresenta uma abordagem própria, ampliando as opções táticas durante os confrontos.
Vincent alterna entre armas de fogo e transformação monstruosa
Vincent Valentine combina ataques à distância com uma forma monstruosa voltada para o combate corpo a corpo. Em sua forma humana, utiliza armas de fogo para manter pressão sobre os adversários, enquanto suas habilidades especiais ganham força conforme o jogador desenvolve suas sequências de ataques.
A transformação em Galian Beast, acionada pelo comando R1 na demonstração, muda completamente sua abordagem. Vincent abandona a distância segura e passa a utilizar ataques físicos mais agressivos, capazes de causar dano elevado e pressionar os inimigos de perto.
Essa mudança, porém, exige atenção. Permanecer transformado aumenta o nível de Chaos e reduz gradualmente o HP máximo do personagem. Não se trata de uma transformação com duração fixa, mas de uma escolha que cobra seu preço conforme o combate avança.
Na prática, a mecânica incentiva o jogador a alternar entre as duas formas. Utilizar a Galian Beast durante uma abertura importante pode acelerar a derrota de um adversário, mas permanecer nela por tempo demais pode comprometer a sobrevivência de Vincent.
O resultado é um personagem que exige mais do que simplesmente manter o botão de transformação pressionado: é necessário avaliar o momento de atacar e quando voltar à forma humana.
Cid aposta em alcance, saltos e mobilidade aérea
Cid Highwind segue um caminho diferente. Armado com sua lança, o piloto incorpora características associadas à classe Dragoon, conhecida na franquia por seus saltos e ataques aéreos.
Na demonstração, suas habilidades permitem alcançar adversários em diferentes posições e aproveitar o combate vertical. A possibilidade de saltar e encadear ataques no ar acrescenta mobilidade ao personagem, além de abrir oportunidades contra inimigos que seriam mais difíceis de atingir com ataques convencionais.
Essa abordagem também diferencia Cid dos integrantes mais focados no combate terrestre. Em vez de depender exclusivamente de sequências de golpes no chão, o personagem utiliza saltos e investidas para mudar sua posição e manter a pressão ofensiva.
A diferença entre os dois recém-controláveis é clara: Vincent alterna entre ataques à distância e força bruta, enquanto Cid utiliza alcance e mobilidade para explorar outras oportunidades de ataque.
As habilidades de Sinergia também retornam, permitindo combinar ações entre integrantes da equipe. Um dos momentos curiosos da demonstração envolve a forma bestial de Vincent e Cid em um ataque combinado, mostrando que essas interações continuam sendo parte importante da identidade do combate.
FITS amplia as possibilidades de personalização
A principal novidade na construção das equipes é o sistema FITS (Function-Integrated Tactical Suitwear). A mecânica permite equipar especializações que acrescentam habilidades e funções aos personagens, em uma proposta que lembra os sistemas de Jobs encontrados em outros jogos da franquia.
As quatro especializações apresentadas são Warrior, Knight, Black Mage e Summoner. Cada uma oferece um conjunto próprio de capacidades, permitindo modificar a atuação dos integrantes sem apagar completamente suas características originais.
Isso significa que a escolha do personagem deixa de ser o único fator a determinar sua função durante uma batalha. A especialização equipada também influencia as opções disponíveis e a maneira como o jogador pode contribuir para o grupo.
Na demonstração, os integrantes já estavam configurados com diferentes FITS, o que permitiu observar como as funções se complementam.
Barret e Red XIII, por exemplo, apareciam associados a uma abordagem defensiva, com recursos para atrair a atenção dos adversários e proteger os companheiros. Cloud utilizava a especialização Summoner, enquanto Yuffie e Tifa estavam configuradas como Black Mages.
A proposta abre espaço para experimentar diferentes combinações, especialmente em confrontos que exigem mais do que causar dano rapidamente.
Summoner e Black Mage mudam a dinâmica das batalhas
Na especialização Summoner, Cloud pode recorrer a invocações para ampliar sua capacidade ofensiva. A demonstração apresentou essa possibilidade como uma maneira de acrescentar outra fonte de pressão ao campo de batalha.
Já a especialização Black Mage demonstrou recursos voltados ao uso de magia e ao aproveitamento de áreas específicas de combate. Na configuração observada durante o teste, essas áreas ofereciam vantagens relacionadas ao uso de habilidades mágicas e ao dano elemental.
O interesse dessa mecânica está na forma como ela incentiva o jogador a pensar sobre posicionamento, composição da equipe e escolha de habilidades. Em vez de depender sempre dos mesmos personagens para cumprir determinada função, torna-se possível experimentar configurações alternativas.
Isso pode ser particularmente útil em situações nas quais o grupo precisa equilibrar ataque, defesa e suporte. Ainda assim, será necessário jogar a versão completa para avaliar até que ponto as especializações conseguem substituir funções específicas sem comprometer a eficiência da equipe.
A história continua explorando as memórias de Cloud
A demonstração também reserva espaço para o conflito narrativo que acompanha Cloud desde Rebirth.
Sephiroth continua utilizando as lembranças e as dúvidas do protagonista como parte de sua influência psicológica. As memórias relacionadas a Nibelheim e a presença de Zack ajudam a manter a incerteza sobre o que Cloud realmente compreende dos acontecimentos ao seu redor.
Essa abordagem mantém uma das principais características da trilogia: a reconstrução de momentos conhecidos de Final Fantasy VII ao lado de mudanças que alteram a maneira como o jogador interpreta a história.
A presença de elementos familiares não significa que o terceiro capítulo seguirá necessariamente todas as expectativas de quem conhece o jogo original. Pelo contrário, as inconsistências nas lembranças de Cloud continuam funcionando como uma fonte de tensão narrativa.
A demonstração também apresenta a criatura Jenova Death, trazendo um confronto importante para esse trecho da aventura. A aparição reforça a intenção de combinar referências reconhecíveis com uma narrativa que continua desenvolvendo sua própria versão dos acontecimentos.
Como o teste cobre apenas uma parte do jogo, ainda não é possível avaliar como essas cenas se encaixarão no desenvolvimento completo da história ou quais serão suas consequências para o desfecho da trilogia.
O desempenho técnico chama a atenção
Durante o teste realizado no PlayStation 5 Pro, a demonstração apresentou combate fluido e cenários com diversos efeitos visuais em tela. Não foram percebidas quedas de desempenho relevantes durante a sessão.
É uma impressão positiva, especialmente considerando a quantidade de elementos que podem aparecer simultaneamente nas batalhas e a intensidade dos confrontos.
Ainda assim, o resultado precisa ser colocado em perspectiva. Uma demonstração limitada não permite avaliar todas as regiões, situações de combate ou condições técnicas que estarão presentes na versão final.
O desempenho observado é um bom sinal, mas não substitui uma análise mais abrangente do jogo completo.
A localização brasileira também ganha destaque
Um dos momentos mais curiosos da demonstração veio da localização em português brasileiro.
Durante uma situação explosiva, Cid reage com a expressão “Tá pegando fogo, bicho!”, referência facilmente reconhecível para parte do público brasileiro.
A escolha chama a atenção por aproximar o diálogo de uma expressão popular no país, sem depender apenas de uma tradução literal do texto original.
Em um jogo com personagens conhecidos e uma comunidade que acompanha a franquia há décadas, esse tipo de adaptação pode contribuir para tornar os diálogos mais naturais e criar momentos que funcionam de maneira particular para o público local.
O impacto da escolha dependerá também de como esse tipo de localização será aplicado ao restante da aventura. No trecho apresentado, porém, a frase se destaca como um exemplo de adaptação cultural que vai além da simples substituição de palavras entre idiomas.
O que a demonstração revela sobre Final Fantasy VII Revelation?
O principal mérito da demo é mostrar que a Square Enix não pretende depender apenas da continuidade narrativa para diferenciar Revelation de Rebirth. Vincent e Cid acrescentam estilos de combate próprios, enquanto o sistema FITS abre novas possibilidades para configurar a equipe.
Essas mudanças parecem buscar um equilíbrio delicado: ampliar as opções táticas sem descartar os fundamentos que já funcionavam no capítulo anterior.
Vincent exige atenção ao alternar entre ataques à distância e transformação. Cid aproveita sua mobilidade e seus saltos para explorar outras oportunidades de ataque. Já o FITS permite experimentar diferentes funções, potencialmente alterando a maneira como o jogador organiza sua equipe para cada confronto.
A demonstração também mantém o foco nos conflitos pessoais de Cloud e na relação entre suas memórias e os acontecimentos que cercam Sephiroth.
Ainda há questões que só poderão ser respondidas com o lançamento completo, principalmente sobre o equilíbrio entre as especializações, a variedade dos confrontos e o desenvolvimento da narrativa.
Por enquanto, a impressão é de que Final Fantasy VII Revelation está ampliando a base construída por Rebirth em duas frentes importantes: a liberdade para personalizar o combate e a conclusão de uma história que continua revisitando um dos universos mais conhecidos dos RPGs.
O jogo chega em 8 de abril de 2027 para PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S e PC. Até lá, a demonstração oferece um primeiro retrato das mudanças que devem acompanhar o encerramento da trilogia.